sortidas_letras simplesmente representam palavras_mirabolantes


De volta com as ideias sem pé nem cabeça. vontade de expressar alguns sentimentos que ficam guardados por muito tempo no baú das confidências. vai saber... cada um com as suas loucuras. paz

*segue texto em duas partes produzido por mim ontem na madruga* rural... algo importante esta por vir...



Escrito por Christofer Silva às 01h53
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                Acordei com frio. A chuva batia em minha janela e fazia um barulho atordoante. O vento mexia minha casa com raiva. Passava assobiando, desconcentrando qualquer pensamento, com uma melodia capaz de cortar até o mais forte dos corações. Pelado e com frio. Sozinho, mas acompanhado. Acompanhado dos pensamentos que nunca me deixam esquecê-la. Onde ela estaria agora? O que deveria estar pensando e em quem? De uns tempos para cá eu me remoia com essas perguntas, que continuavam sem resposta.

            Ao menos algo me tirava atenção dos pensamentos. Uma maldita dor de cabeça. Pressão parecida com o cair de uma grande marreta bem no meio da sua testa. Maldita bebida. Porque que ao longo de todos esses anos eu ainda não aprendi que não se pode misturar tanto. Mas meu tio nunca me avisou sobre isso, ele sabia que eu teria que aprender na marra. Só que não estava dando muito certo.

            Eu o chamava de tio porque ele era meu melhor amigo e quase quarenta anos mais velho que eu. Tínhamos uma certa afinidade, passávamos grande parte do dia juntos, jogando xadrez na imunda praça perto de sua casa. Conhecíamos todos e todas. Os desocupados do dia-a-dia e as trabalhadoras de vida fácil. Aprendi com ele, as mais interessantes historias, que nunca apareceriam em nenhum livro de contos e jamais passariam pelas nossas simples cabeças. Na verdade eu o considerava todos aqueles que nunca fizeram parte da minha vida.

            Eu tinha um problema. Sempre me detive nos pequenos detalhes. Naquela virgula insignificante de uma resposta, as minhas mirabolantes perguntas. Sempre achei que todos tinham uma segunda intenção em suas palavras. Minha futura esposa, a mulher da minha vida sofria com esse defeito. Acho que quando eu morrer, esse defeito vai comigo. Meu tio era o único que me tranqüilizava em relação a isso.

Escrito por Christofer Silva às 01h48
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            Em uma tarde ensolarada de outono, enquanto as folhas amareladas caiam e davam alguma vida aquela praça cinzenta e muda, caminhávamos ao encontro do nosso bom e barato vinho, no bar da esquina. Discutíamos sobre a vida das pessoas que rondavam aquele lugar. Todos trancafiados em seus pensamentos, loucuras que nunca seriam expostas ao mundo dos que se dizem normais. Universos paralelos em meio ao labirinto que vivemos.

            Sentamos para jogar xadrez. Ele me contava mais uma de suas historias. Só que essa era mais dramática. Falava de seus sentimentos. Contou-me que era apaixonado por uma moça que vivia na praia onde ele morava. Foi sua maior paixão. Ela o fez mudar. O pálido e insensível garoto ganhou vida nos braços da jovem e ingênua mocinha. O pai da moça era rígido e conservador, queria sua filha intacta para o casamento. Casamento que ele escolheria. O jovem casal se encontrava ao lado das pedras na beira da praia, momentos únicos que passavam com a lentidão do barco que transitava no horizonte.

            Ela engravidou. Teve que fugir e levar o fruto daquele amor consigo. Ele ficou e  não mudou seu jeito de levar a vida. Mas nunca foi o mesmo.

Muitos anos depois ele viu um garoto. Bateu os olhos e sentiu um calor o preenchendo por dentro. Reconhecia aquele olhar. O mesmo olhar vago e independente que a mulher de sua vida tinha. Mas ele nada fez. Ficou parado, esperou seus pães e foi para casa saciar a fome que o corroia.

O vinho terminou. Fui até o bar para comprar mais daquela arma. Arma no bom sentido, pois, abria as idéias e engrandecia os pensamentos. Dava uma força descomunal aos devaneios, trazendo para a realidade, o mundo distante em que inconscientemente vivemos dentro de nós mesmos. Comprei o bem e voltei ao banco. 

Chegando lá vi que ele estava dormindo. Notei a paz que aquela imagem passava. Seu sorriso mesmo dormindo levava aos mais distantes lugares. Ao inimaginável. Cheguei mais perto e toquei em sua mão. Nenhuma resposta. Sacudi mais algumas vezes e nada. Sabia que ele tinha ido. Mais cedo ou mais tarde, ele deixaria este mundinho de privações. Prestei bem atenção no seu rosto, decidi que aquela era a imagem que eu teria dele. Paciente e atencioso. Não sei o que ele pensava de mim. Mas gostaria que ele tivesse me chamado de filho.

O sol aparece, e os casacos saem dos ombros cansados. Pra uns claro pra outros escuro. Mas a cidade sempre vai ser um ponto obscuro.

 

             

           

 

           

           

               

 



Escrito por Christofer Silva às 01h47
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    Futricando nas coisas antigas achei um texto de umas três semanas. ele não fala do que eu estou vivendo agora, mas naquela fase, falava a verdade. paz e um salve para os que dão o devido apoio.

 

    Porque que quando decidimos nos curvar frente a nossos conceitos, todos dão as costas para sua atitude. Atitude que, por menor que seja, nos parece um gigantesco salto acima da grande barreira, que conseqüentemente regra a nossa vida. Tenho a sensação de que as mais sinceras palavras de apoio não servem de nada. Toda aquela força moral parece ser da boca pra fora. Mas eu sei que me esforço para mudar. Trocar a forma de ver. Distinguir sentimentos e sensações que antes pareciam iguais. Friamente desnecessários.

    Qual a vantagem de trocar? Aprender a sofrer? Ou talvez amar? Estou tentando... Mas ninguém quer me ajudar. Necessito do auxilio nas descobertas de uma nova vida. Vivencias de pessoas normais. Sentimentos verdadeiros que ferem os meros mortais. Estou perto... preciso tentar...



Escrito por Christofer Silva às 04h06
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Sigo me esquivando em meio aos inúmeros pensamentos. Idéias que martelam, vão e voltam carregando consigo, as duvidas da vida cruel. Ocupando o espaço das historias mirabolantes e dos casos que povoam as mais despreocupadas cabeças. Quem sabe quando a poeira baixar, alguma coisa boa venha surgir ao lado dos momentos de felicidade.

 



Escrito por Christofer Silva às 04h01
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